JUST DO IT

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Cartas

Dê-me tuas cartas como ja destes antes, por todo esse desencontro, por toda essa angústia. Embaralhe-as, tire-as, faças teu destino por entre elas, metade-a-metade por entre estrelas e auréolas. Como tu vais e como um dia foste, faças tuas escolhas... As minhas já foram decididas. Erradas, eu sei, embora sejam essas as minhas cartas, meu jogo limpo... Só mais um cigarro. Só mais um...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Plano de Voo.

Nuvens. Acima dali, de uma maneira ou de outra. Com ou sem os seus nomes específicos de aviador. Notas depressivas de um piano e uma viagem a partir daquele calor. Só que ninguém sabe onde fica, e o destino é um voo sem direção, um voo cuja partida é uma insanidade, e o guia transformou-se em rejeição. Só seguimos reto, tentando alimentar as turbinas com fogo que conseguimos inventar, tentando evitar a queda ou algum tripulante se machucar, não cometamos o erro de Ícaro, embora outrora seja impossível, doloroso, improvável, porque somos homens movidos pelo êxtase, pela emoção, razão não se junta com adrenalina e adrenalina chegou junto da emoção. Porque só temos uma diferença: tu voas com tuas turbinas e eu com minha imaginação.

domingo, 25 de abril de 2010

Intens[an]idade

É, era intenso. Mas verdade mesmo, nunca foi.
Sempre achei que viveria de ilusão. Sempre. Só que aí eu pensei que eu havia me livrado disso. Sem motivo, sem escolha.
Agora eu percebo que isso também era - e é - ilusão.
Ilusão, sanidade, intensidade. Idade.
espelhos, reflexos, distúrbios, decisões.
Acabou.
Acabou?

sábado, 17 de abril de 2010

"Desamor" - Parte I

Alguém disse alguma vez que a vida era justa? Pedimos por isso porque somos tontos. Era improvável, agora é tarde. Já me conformei com esse instinto, mas agora me faz mal, porque querer você é um pecado, um pecado do qual é impossível se redimir. Só há um modo disso se prolongar, e não será assim. Vou sofrer até quando der, porque já sou habituado à tudo isso, e até me arrisco a dizer que já previa, só que ninguém sabe, ninguém sabia. Acho que fomos para muito além e isso foi - por ora - bom, mas eu acho que você percebeu, porque eu sou óbvio por inteiro, você me vê por fora e sabe tudo de quem eu sou por dentro. "coitadinho de mim", porque párias culpados e elite se reconhecem. Como ninguém.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O passa-tempo problemático de Deus.

Focos ofuscantes de luzes reluzentes e uma marca. Uma marca e um menino. Imagina-se que para além dali, há um senhor de longa barba ao redor de uma infinita maquete redonda. Sim, um senhor. Um senhor que deseja, exige e discorda de parte daquele jogo. Ele pensa, mas finge não pensar e desgosta, assim como todo jogador, quando suas peças o decepcionam. E a gente acredita. Mas a gente acredita porque é mais fácil e cômodo acreditar. Ora, se pensar fosse simples, a maioria das pessoas ganharia o mundo de modo diferente. Aliás, esse senhor tivera recebido um mimo quase unânime e incomum desde sempre de seus míseros subjogadores de defeitos óbvios e falsas lágrimas de amor. Para as ruas de aqui e acolá, ele nem chora mais, enquanto outrora outro lado, ele parece estar inconformadamente desolado. E não é fácil satisfazê-lo, nem do mais belo lapidado diamante e nem sobre infinitas derretidas barras de ouro cobertas de prata adquiridas, não é tão simples assim. E por sobre conclusões, ainda há aquele garoto sob a luz ofuscante, não sabe por quanto tempo, mas vive dia após dia, ano após ano, até que o senhor Deus, tão aclamado, decida mudar as peças mais uma vez, porque Deus é egoísta, e uma hora ele estará cansado de jogar... Mas o fato é que, ainda estamos jogando. Sim, estamos...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Insuficiência.

Ainda que de certo modo consigamos burlar a saudade, pra mim não é o suficiente. Ainda que usemos nossas cordas vocais pra tentar encontrar o retorno do caminho pelo qual nunca caminhamos, isso não é suficiente. Não é suficiente olharmos as mesmas estrelas, cada um do seu lado, porque elas não são as mesmas enquanto nós não estivermos juntos. Por que parece tão difícil quando tudo parece se completar? É tão impossível assim que nós estejamos juntos nesse fluxo cheio de distância, de incoerência e espaço, até? Mas você talvez esteja satisfeito, mas não, pra mim não é suficiente. Não é. Nunca foi. Nunca foi...

sábado, 12 de setembro de 2009

A carta final (o fim de um amor em épocas).

13/10/2075

A caixa dos segredos está aberta. Vejo que vós, que não amastes, sente culpa tal como uma das rosas murchas ao redor da única que desabrochou. Sento por meros segundos em frente àquele mar lindo em que sentávamos juntos para apreciar, mas hoje o nosso sentimento é um turbilhão de gelo sob este sol escaldante, é um elo cortado cheio de respostas silenciosas ditas por teus lábios tépidos sobre a minha carne, é uma haste floral segurada pelas tuas mãos gélidas nos últimos segundos e isso não se resume em nada mais. Culpa talvez não possa ser tão explicada quanto os nossos desejos mais complexos, que embora tão complexos, se resumem somente à desejos.
Eu queria saber dizer para que as pessoas do seu mundo - para as quais escrevo agora - pudessem compreender que não é só o modo como viverão, mas o modo como poderão escolher viver. Somos partes um do outro, é impossível negar, você não quer que eu sofra, não deixe de gritar para parar.
Somos feitos de carne como vocês, e embora nosso amor tenha acabado, Deus (se é que ainda podemos acreditar em algo) enxerga o que vocês estão fazendo - e principalmente o que VOCÊ está fazendo - e a temperatura - não literal e literal - das pseudo frases de efeito que marcaram a minha e a sua - e as vossas vidas também - de modo incondicional, sabendo que no final tudo iria estar perdido.
Eu queria estar convencido - e esperançoso - que tudo iria mudar daqui pra frente entre nós - e vocês - mas eu sei o quão essas palavras se esvaírão dos tímpanos de vocês... se esvaírão como se nunca tivessem sido escritas, como se nunca tivessem sido enviadas... são registros ocultos que foram escritos por alguém... alguém que desistiu de viver, por amor, que desistiu de viver por todo o clima (mais uma vez, literal e não-literal) alguém que viu o mundo se auto-destruir e as pessoas (inclusive si mesmo) se auto-flagelarem por pura diversão, e se encerra aqui - duas horas antes de o fim do mundo pra alguém - uma carta, uma carta final.